Terça-feira, 14 de Dezembro de 2004

Canto do Prazer

Canto do Prazer

E eu estava colado a ela, todo agarrado a ela segurando-a
por detrás, a beijar-lhe os ombros e o pescoço junto aos
cabelos, a lambê-la, a mordê-la nos ombros, no pescoço,
nos cabelos pretos, as costas dela tão brancas, e a Vera
estava mesmo em frente aos meus olhos, a beijá-la na boca
num beijo que parecia nunca ir terminar, como se as duas
bocas fossem uma só, um músculo, um bicho do mar, e depois
ela virou a cabeça para trás para encontrar a minha boca,
os meus dentes, a minha saliva e suspirar, e ela estava toda
despida com a pele muito branca à mostra e o seu corpo de
sereia ondulava inconsolável num movimento lento, por vezes
um estremecer de prazer, e o corpo dela despido contrastava
com os nossos, a Vera por completo vestida, agora já só
interessada em dar-lhe mais prazer ainda, beijando-lhe os
meigos seios, sem pressa de chegar, e os suspiros faziam eco
nas paredes brancas, e eu tirei o meu sexo de dentro das calças,
ou entao foi ela, e ela agarrou-o com a sua mão como quem
agarraem qualquer coisa que se quer levar consigo para longe e
o prazer em mim crescia causando uma ligeira tontura, arrepios,
uma súbita asfixia, e eu não queria que nada acabasse por nada
deste mundo e concentrei-me de novo na Vera sem nunca a tocar,
deixando-me fascinar pelos corpos delas agora muito juntos a
reconhecerem-se, a descobrirem-se, a amarem-se como se fosse a
ultima ou pela primeira vez com uma urgência, a urgência do
amor, e eu sentime um mero acompanhante espectador maravilhado
não podendo deixar de as olhar enquanto elas pareciam brincar
como crianças e eu ainda deitado por detrás delas com a minha
cabeça apoiada na minha mão esquerda, enquanto a minha mão
direita lhe acariciava as costas, as ancas, a flor do sexo, e
lhe sussurrava breves palavras ao ouvido dizendo-lhe como era
bela, confessando-lhe os meus desejos mais violentos, a minha
delícia, e a Veranão parecia ouvir nada de tal modo se encontrava
presa nas malhas do prazercom que um corpo doma outro, numa completa
liberdade, como se não houvesse mais futuro algum se não continuar
o que se tinha começado sem nada saber, uma tontura subindo em
espiral, o toque suave dos cabelos, o doce encontro do exterior
e do interior dos corpos abertos, agora muito quentes, húmidos
como se um orvalho os cobrisse e ela disse que não aguentava mais,
e o seu corpo era uma onda que vai rebentar a qualquer instante
e ela pediu que eu continuasse, por favor não pares, disse ela
apertando o meu sexo dentro das suas mãos fechadas e lançou um
grito que começou muito baixo, inaudível, para ir crescendo até
se tornar um grito de verdade, única presença naquela sala, batendo
nas paredes fazendo eco, como se não fosse alguma vez terminar,
causando susto até estacar de repente e em seguida a Vera levantou-se,
foi buscar um roupão branco com que a vestiu, deixa-me vestir-te,
deixas?, enqianto nós permaneciamos vestidos, sem já nada para
fazer, sem nada conseguir dizer, as mãos, numa aflição, procurando
cigarros.

In: Quase gosto da vida que tenho
By: Pedro Paixão
publicado por Angel-of-Death às 19:45
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