Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Negro no fim

E vai-se perdendo de vista o mundo lá fora, tudo parece passar depressa demais, mais depressa do que consigo agarrar. Nada parece fazer sentido, nem consigo sentir nada, é tudo tão rápido, tão vazio, tão fugaz.

Não faz mais sentido tudo isto. Estou a ficar confuso, começo a misturar ideias com coisas e coisas com ficção, e às tantas já nem sei o que é o quê. Às vezes faz mais sentido o que não faz sentido nenhum. Começo a perceber isso agora Pena que seja só agora, quando já nada se faz sentir.

A tristeza da vida é esta mesma, a vida, quando dela fugimos, quando dela não sentimos falta. A vida é triste e alegre, é má e boa, pode ser doce ou dolorosa, é justa e injusta, é azul, e vermelha e amarela e verde, e é Outono castanho e Inverno frio.

Mais frio para uns do outros…

Mas é negra, triste e dolorosa, para a grande maioria de nós. Nós que nos escondemos nas sombras, nós que fugimos do mundo, nós a quem tudo nos dói, mesmo quando tudo é branco ou azul, logo fica negro e fúnebre. Nós. Nós não, vocês negros e feios e doentios, porque há muito disso me deixei, parei de me fazer sofrer de propósito, parei de ser quem era, e parei, e continuo parado onde estou, mesmo quando me mexo e me vou, seja embora seja por onde vá, nunca por lá vou, nem quero ir por lá. Mas vou…

E agora não vou parar mais, continuo por aqui, por onde não quero ir, mas vou, por onde não devo ir, mas estou, e não posso sair.

Meu negro coração nunca me abandona, mesmo quando tudo vai e tudo vem, e às vezes ate tudo vai bem, ele volta, e eu volto com ele, volto para o lugar de onde nunca deveria ter saído, mas é uma volta tão breve que quase parece um sonho, uma recordação ou um desejo. E eu tenho medo dos meus desejos, às vezes, quando me deixo levar por eles, só me trazem problemas, nem sempre maus, mas problemas, que geram outros problemas que eu não consigo resolver. E nada me deixa mais doido do que coisas sem solução. Dilemas ou coisas do género, sim isso sim, mas tudo o que não tem solução está morto, porque só existe uma coisa na vida para a qual não há solução, a morte, tão permanente e presente como a própria vida. Sempre presente e sempre à espreita, tenho-lhe ódio de morte, e medo, muito medo, porque depois da vida não há vida, há morte, e quando se esta morto, não há mais nada, eu pelo menos não conheço ninguém que de lá tenha voltado, das duas uma, ou é muito bom, ou é aquilo de que tenho medo, nada, o maior, mais absoluto, mais perfeito e permanente estado de nada, nem coisa nenhuma. O que para mim é terrível, um dia, não ser nadinha de nada, é que um dia destes, nem uma recordação, e uma recordação já não é mesmo quase nada, apesar disso, ao menos numa recordação vive-se e revive-se em nós e nos outros.

E vós, negros de noite, de coração e de mágoa, vós, e nós, e eu, que do negro fujo, mas ele não de mim.

 

By: Angel-of-Death

 

publicado por Angel-of-Death às 19:18
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