Terça-feira, 30 de Novembro de 2004

Fragmento 11

Chegou
Como o vento ou a chuva
Sem se fazer anunciar instalou-se e nada disse
Tomou como seu algo que nao lhe pertencia
Não pertence, nunca pertencerá...
Mas que ela tomou
Apoderou-se do que nunca podia ter
Do que nunca poderia ser se fez feito
Se tornou corpo e alma
Invadiu os meus sentidos
Encheu-me de sentimentos que julgava para sempre enterrados
Perdidos...
Voltou a dar sentido a um vazio
Voltou a dar vida a um coração perdido
Perdido na propria mágoa.
Chegou e ficou
Não disse nada e ficou
Chegou sem querer coisa alguma e levou tudo.
Chegou sem ser
Chegou sem fazer
Ficou e é, mesmo sem o saber.
É tudo o que nunca algum dia foi
Nem nunca algum dia será,
Um todo de alguém que não tem nada,
Uma alma que me faz perder os sentidos e a razão
Mas que me encontra até nos meus sonhos
Sonhos...
Ela chegou e voltei a sonhar
Voltei a tentar sonhar com alguma coisa
Vontade de querer ser mais
De ter mais e mais do que nada tenho.
E talvez nunca possa ter.
Ela chegou e ficou,
Dentro de mim...

By - Angel-of-Death
In - "O espelho e eu"
publicado por Angel-of-Death às 16:47
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Terça-feira, 9 de Novembro de 2004

Saudades

Não é um vício não, é uma vingança. Acontece quando
acordo a meio da noite e estico os braços á procura e não sei
que estou só. A cama é grande e só do meu lado está desfeita.
Acordo á procura do corpo que faz falta e só tenho o meu que está
a mais. Fecho os olhos, como se já não estivessem fechados,
e o que está dentro de mim é uma ânsia. Então chegam imagens
de um corpo, pequenas alucinações. Duas mãos começam a agarrar-me
as ancas e uma boca a bafejar-me a cara. É ele que fala.
Ouço dizer-me as coisas que me diz e calo-me. Ouço-o chamar os nomes
que me chama e eu vou. Começo a desfazer-me para que me faça. O corpo
que eu toco não é de ninguém. Quando não basta repete, quando
não basta repito. E depois há uma coisa que vem de longe e não quer
acabar de vir. Vem a mim, que eu não consigo ir a ela. Estou comigo.
Não é um corpo, não. É um fugir. Um barulho. Qualquer coisa assim que vem,
que agarra e passa. Um bicho. Não é um corpo não, porque os não há. Ás vezes
ouço-me gritar, ou a julgar que grito e depois fico quieta como se corresse perigo.
Começo a pensar nele e acabo a pensar em mim, os cabelos desfeitos, uma ânsia sem fim.

in Vida de Adulto - Pedro Paixão
publicado por Angel-of-Death às 13:04
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2004

30/10/2004 Festa Dark Sounds - PH Caffe - Esmoriz

picture029.jpg
publicado por Angel-of-Death às 14:13
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For my Fallen Angel

As I draw up my breath,
And silver fills my eyes.
I kiss her still,
For she will never rise.
On my weak body,
Lays her dying hand.
Through those meadows of Heaven,
Where we ran.
Like a thief in the night,
The wind blows so light.
It wars with my tears,
That won't dry for many years.
Loves golden arrow
At her should have fled,
And not Deaths ebon dart
To strike her dead.

Lyrics by: My Dying Bride
publicado por Angel-of-Death às 14:09
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