Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2004

Fragmento 14 - Não

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Não
Negação, palavra que impõe acção, que significa um fim ou não.
Palavra vazia e sem sentido. Sem significado.
Um não geralmente implica um motivo, ou não.
Dizemos que não, quando realmente queriamos dizer que sim.
Somos muitas vezes falsos, connosco próprios.
E porquê não, quando o sim até é mais fácil, ou não.
Sabes, tu não és nem serás como eu, como nós, como tu até.
Tu és como eu te sempre quis, como tu quiseste ser.
Não há muito a dizer sobre ti, que já não tenha por ventura dito,
Não sei ser poético nem escrever bonito, mas sei que tu és ou não
Aquilo que sempre quis para mim.
Um vulcão, nunca extinto, escondido dentro de ti, secreto,
Longe do mundo, só no teu
Um sorriso que ilumina tudo ao passar, mas que as vezes esconde
Esconde as mágoas que te queimam a alma
E tantas vezes a tua voz se cala, mesmo quando falas e nunca dizes
O que realmente sentes, por medo, vergonha, carinho até.
Mas, quem és tu realmente? Porque te escondes de mim?
Porquê de mim?
Não sou eu afinal que te abro esses olhos azuis?
Não sou eu que te mostro o céu a esconder-se dos teus olhos?
Porque o teu azul é mais intenso que o seu.
Abre mais os olhos, vê a vida diante de ti.
Quem sou eu? Quem somos nós?

By: Angel-of-Death
In: "O espelho e eu"
publicado por Angel-of-Death às 16:50
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Terça-feira, 21 de Dezembro de 2004

Fragmento 10 - Quando fui o que havia de ser...

PC211822.-2JPG.jpg


Os dias passavam e M. nunca mudou, não sabia mudar, ou talvez a mudança a assusta-se tanto como a permanência, ou então simplesmente não queria, o que neste caso vai dar ao mesmo.
Nem a mudança das estações, dos dias, das horas, nem o mudar do vento, da chuva e dos tempos, nem tudo isso faziam M. ter vontade de mudar, ou talvez de perder o medo.
M. não era triste nem contente, vivia feliz no seu mundo côr de rosa, ou fingia viver, quando por vezes a vida não lhe dava alegrias, se é que algum dia lhe deu.
Quando conheci M. vivia tempos dificeis, não sabia bem que rumo dar á minha vida, não sabia como anular o vazio que sentia dentro do peito, deixado por A., nem como mudar esse rumo, nem como preencher o vazio. Mas que vazio? Que rumo? Que mal tinha a minha vida e a maneira como a vivia?
Só o soube quando a conheci, há alguns anos atrás, era ela ainda muito nova, muito inocente, cheia de vida e de sofrimento, e eu não ajudei em nada. Bem pelo contrário, saí da sua vida quando era talvez mais importante que continua-se a seu lado. Ou talvez tenha sido pelo melhor, não sei.
M. cresceu, mais bonita ainda, e com aqueles olhos cor do céu, que me faziam perder-me dentro dela e de mim, aqueles olhos que ainda vejo, na partida, e que saudades me trazem, do coração que me levaram.
Um pedaço de mim que para sempre ficou com ela, que carrega como uma cruz e que já não mais me tras sofrimento, mas saudades, isso sim. Foi da segunda vez e não da primeira, que M. levou de mim, o que mais ninguém podia levar.
M. não foi, nem nunca será, M. é.
Não saberá jamais como reparar o mal que não me fez, nem repor no seu lugar, aquilo que nunca me levou, mas que com ela ficou para sempre.

Para M.

By: Angel-of-Death
In: “ O espelho e eu”
publicado por Angel-of-Death às 21:01
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Terça-feira, 14 de Dezembro de 2004

Canto do Prazer

Canto do Prazer

E eu estava colado a ela, todo agarrado a ela segurando-a
por detrás, a beijar-lhe os ombros e o pescoço junto aos
cabelos, a lambê-la, a mordê-la nos ombros, no pescoço,
nos cabelos pretos, as costas dela tão brancas, e a Vera
estava mesmo em frente aos meus olhos, a beijá-la na boca
num beijo que parecia nunca ir terminar, como se as duas
bocas fossem uma só, um músculo, um bicho do mar, e depois
ela virou a cabeça para trás para encontrar a minha boca,
os meus dentes, a minha saliva e suspirar, e ela estava toda
despida com a pele muito branca à mostra e o seu corpo de
sereia ondulava inconsolável num movimento lento, por vezes
um estremecer de prazer, e o corpo dela despido contrastava
com os nossos, a Vera por completo vestida, agora já só
interessada em dar-lhe mais prazer ainda, beijando-lhe os
meigos seios, sem pressa de chegar, e os suspiros faziam eco
nas paredes brancas, e eu tirei o meu sexo de dentro das calças,
ou entao foi ela, e ela agarrou-o com a sua mão como quem
agarraem qualquer coisa que se quer levar consigo para longe e
o prazer em mim crescia causando uma ligeira tontura, arrepios,
uma súbita asfixia, e eu não queria que nada acabasse por nada
deste mundo e concentrei-me de novo na Vera sem nunca a tocar,
deixando-me fascinar pelos corpos delas agora muito juntos a
reconhecerem-se, a descobrirem-se, a amarem-se como se fosse a
ultima ou pela primeira vez com uma urgência, a urgência do
amor, e eu sentime um mero acompanhante espectador maravilhado
não podendo deixar de as olhar enquanto elas pareciam brincar
como crianças e eu ainda deitado por detrás delas com a minha
cabeça apoiada na minha mão esquerda, enquanto a minha mão
direita lhe acariciava as costas, as ancas, a flor do sexo, e
lhe sussurrava breves palavras ao ouvido dizendo-lhe como era
bela, confessando-lhe os meus desejos mais violentos, a minha
delícia, e a Veranão parecia ouvir nada de tal modo se encontrava
presa nas malhas do prazercom que um corpo doma outro, numa completa
liberdade, como se não houvesse mais futuro algum se não continuar
o que se tinha começado sem nada saber, uma tontura subindo em
espiral, o toque suave dos cabelos, o doce encontro do exterior
e do interior dos corpos abertos, agora muito quentes, húmidos
como se um orvalho os cobrisse e ela disse que não aguentava mais,
e o seu corpo era uma onda que vai rebentar a qualquer instante
e ela pediu que eu continuasse, por favor não pares, disse ela
apertando o meu sexo dentro das suas mãos fechadas e lançou um
grito que começou muito baixo, inaudível, para ir crescendo até
se tornar um grito de verdade, única presença naquela sala, batendo
nas paredes fazendo eco, como se não fosse alguma vez terminar,
causando susto até estacar de repente e em seguida a Vera levantou-se,
foi buscar um roupão branco com que a vestiu, deixa-me vestir-te,
deixas?, enqianto nós permaneciamos vestidos, sem já nada para
fazer, sem nada conseguir dizer, as mãos, numa aflição, procurando
cigarros.

In: Quase gosto da vida que tenho
By: Pedro Paixão
publicado por Angel-of-Death às 19:45
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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2004

Fragmento 13 - Ser ou não ser S

S levava uma vida triste, o amor nunca lhe tinha trazido grande felicidade,
bem pelo contrário. Para S o amor era sempre demasiado duro e cruel e nem por isso
ela exigia demais dos companheiros. Sempre deu o seu amor incondicionalmente, sem
pedir quase nada em troca, a não ser um pouco de carinho e compreenção.
Coisa que ela raramente tinha, ou quando tinha, nunca durava muito, nunca chegava
para compensar os maus tratos que sofria, não a nivel fisico, mas a nivel sentimental.
Agora que recordo, nunca vi S mais do que uma semana feliz, e como ela merecia...
S era uma bela e jovem mulher, ou melhor, S é uma bela e jovem mulher, com um coração enorme,
mas com uma enorme fome de carinho, ela nem sempre o diz, mas sente-o e eu sei disso...
S tem um grande problema, não sabe quando desistir, e continua buscando o amor, mesmo quando
esse amor lhe traz mais sofrimento do que alegria. Mesmo quando sofre mais do que devia,
ela continua a tentar remediar uma situação sem remedio, sem futuro.
Doi-me muito vê-la, cada vez que recua nas suas decisões, doi-me vê-la sofrer, doi-me vê-la
esperar uma coisa que nunca vem, uma coisa que ela insiste em não ver que não existe.
É meiga demais, em situações que não devia ser, tem os seus defeitos, como todos nós, mas nunca
teve compreensão, nunca se esforçam por entendê-la. E assim continua a levar uma vida dura demais
para uma criatura tão doce.
Gostava de lhe dar uma vida diferente, mostrar um mundo diferente, onde não é tudo bom,
mas tambem não é tudo mau. Um mundo em que ela pode ser diferente, feliz, compreendida e até amada.
Mas S não consegue largar o pouco que acha que tem, e que na realidade não é nada.
S sabe do lado mau da vida e poucas vezes visita o outro lado. Pensa que o meu "mundo" é escuro e
sombrio, quando na realidade, o dela é bem mas negro, mais duro e impiedoso.
O meu "mundo" de escuridão é na verdade uma opção e não uma imposição, sou feliz, não é uma vida
perfeita, mas nada é perfeito na vida e a busca da perfeição é que nos faz continuar.
Na verdade acho que sou importante para S, apesar de não conseguir compreender bem porquê, nem ela
me querer bem explicar. Claro, que se calhar nem ela sabe bem porquê, ou então sabe e não me quer
dizer, mas o facto é que ela tambem é importante para mim.
Somos amigos, talvez mais, talvez não. Somos pessoas diferentes, muito até, ou talvez nem tanto.
Mais sensíveis do que na realidade queremos mostrar, mas ela é claramente mais frágil do que eu,
deixa que as coisas más a afectem demais, mesmo quando nao lhes devia dar essa importancia.
S é triste, ás vezes, ou muitas vezes. S é feliz, quando consegue. S é um anjo, em busca da luz,
em busca do seu lugar nesta terra. S tem um lugar e nao sabe onde, nem sabe porquê, mas um dia,
eu vou mostrar-lhe que esse lugar sempre foi dela, mas ela esqueceu-me de procurar no sitio certo.

By: Angel-of-Death
In: "O espelho e eu"
publicado por Angel-of-Death às 17:22
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Fragmento 12 - O meu mundo é o teu...

O meu mundo,
igual ao de tantos outros
diferente de cada um
porque todos vivemos no mesmo.
O meu mundo, que não é só meu
é teu, é nosso...
O teu mundo, que é o meu
onde cabem todos e só eu e tu,
não é fechado, nem é aberto
não tem fronteiras nem limites
onde entram e saem pessoas
amigos, conhecidos, familiares e desconhecidos.
Amores, inimigos...
Que mundo é o meu?
Que mundo é o teu?
Não vivemos todos no mesmo mundo?
Levamos vidas diferentes,
Temos sonhos diferentes,
Queremos coisas distintas,
mas sempre tão iguais.
O meu mundo não é negro e sombrio,
como o teu não é banhado pelo sol,
Não é o mundo que é distinto,
eu é que sou igual a mim mesmo
e diferente dos demais.
Não é um abraço, sempre um abraço?
Onde quer que seja dado,
não é quem o dá que conta?
Como podemos viver nós em varios mundos,
quando nos vemos tantas vezes,
como podemos nós viver no mesmo mundo,
quando somos tao diferentes.
Diferentes?
Diferentes como?
Mundo?
Que mundo?
Eu?
Sim, eu no meu mundo
tu no teu,
e afinal, estamos sempre no nosso....

Para S.

By: Angel-of-Death
In: O espelho e eu
publicado por Angel-of-Death às 12:07
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