Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Ao menos...

Preciso de te ver. Digo eu ao telefone.

Tu respondes que sim, hoje pode ser, a tua mulher não esta em casa.

Meto-me num táxi e corro para tua casa. Atendes-me a porta já quase despido, a noite é longa e intensa, fazemos amor que nem doidos, na cama no chão, no sofá, no chuveiro, sinto-me capaz de te matar de paixão. Mas a noite, que tão longa parecia, logo se desfaz, o sol bate à porta.

Acordo e penso em ligar-te, contar-te o meu sonho, mas a tua mulher é que está ao teu lado, eu não passo de um fantasma do teu passado, é hora de voltar a dormir, ao menos nos sonhos és meu.

By: Angel-of-Death

publicado por Angel-of-Death às 23:31
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So me dizes hoje...

Sabes, hoje não gosto de ti, nem tão pouco quero estar contigo.

Hoje fazes-me mal, e eu hoje só quero coisas boas na minha vida, e tu, claramente não és uma delas.

Hoje vou arranjar um outro amante, hoje vou ser livre, livre de não pensar em ti, de não ter que te aturar.

Amanha, amanha logo se vê, se eu voltar…

Não quis acreditar no teu bilhete quando cheguei a casa, escrito em post-it’s, espalhados pela casa, como um caminho terrível para eu seguir, achei que era brincadeira, de muito mau gosto, mas brincadeira, tentei ligar-te, o teu telemóvel estava desligado.

No dia seguinte não voltaste.

 

By: Angel-of-Death

 

publicado por Angel-of-Death às 23:24
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Talvez mentiras...

Nunca te lembras de mim?

Pois olha que eu nunca me esqueço de ti, nem poderia…

Alguma vez quiseste não me esquecer? Alguma vez foste feliz?

Não consigo recordar-me da tua felicidade nem da tua tristeza, e agora que penso nisso, nem da minha, só me recordo de ti, quando eras minha, quando pensava que eras minha. Nunca o foste, pelo menos não só minha e eu sempre o soube e não queria saber, fazia de conta, de conta que eras só minha. Fazia de conta na minha cabeça, fantasiava, sonhava com uma vida perfeita que nunca deixei que me desses. Nunca te deixei seres só minha, como tanto queria, como tanto pensava.

Nunca te lembras de nós?

Pois olha que eu nunca me esqueço de nós, nem poderia…

Mesmo quando não vinhas a casa, mesmo quando te viam com alguém, para mim era sempre mentira que inventavam para nos afastar. Tudo o que acontecia tinha sempre uma explicação, sempre uma desculpa, sempre uma razão de ser.

Às vezes penso que tudo não passou de fantasia minha, mais uma invenção da minha cabeça.

Será que é por isso que não te lembras de mim? Que não te lembras de nós?

Talvez no fundo não houvesse mentira maior do que eu.

 

By: Angel-of-Death

 

publicado por Angel-of-Death às 23:15
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Finalmente

Olá a todos os que seguem ou seguiam aquilo que eu aqui ía escrevendo.

Sempre prometi que voltava e agora voltei de vez.

Já fiz um post, e porei pelo menos mais 4 pequenos textos nos proximos dias.

 

Obrigado pela paciencia.

publicado por Angel-of-Death às 19:20
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Negro no fim

E vai-se perdendo de vista o mundo lá fora, tudo parece passar depressa demais, mais depressa do que consigo agarrar. Nada parece fazer sentido, nem consigo sentir nada, é tudo tão rápido, tão vazio, tão fugaz.

Não faz mais sentido tudo isto. Estou a ficar confuso, começo a misturar ideias com coisas e coisas com ficção, e às tantas já nem sei o que é o quê. Às vezes faz mais sentido o que não faz sentido nenhum. Começo a perceber isso agora Pena que seja só agora, quando já nada se faz sentir.

A tristeza da vida é esta mesma, a vida, quando dela fugimos, quando dela não sentimos falta. A vida é triste e alegre, é má e boa, pode ser doce ou dolorosa, é justa e injusta, é azul, e vermelha e amarela e verde, e é Outono castanho e Inverno frio.

Mais frio para uns do outros…

Mas é negra, triste e dolorosa, para a grande maioria de nós. Nós que nos escondemos nas sombras, nós que fugimos do mundo, nós a quem tudo nos dói, mesmo quando tudo é branco ou azul, logo fica negro e fúnebre. Nós. Nós não, vocês negros e feios e doentios, porque há muito disso me deixei, parei de me fazer sofrer de propósito, parei de ser quem era, e parei, e continuo parado onde estou, mesmo quando me mexo e me vou, seja embora seja por onde vá, nunca por lá vou, nem quero ir por lá. Mas vou…

E agora não vou parar mais, continuo por aqui, por onde não quero ir, mas vou, por onde não devo ir, mas estou, e não posso sair.

Meu negro coração nunca me abandona, mesmo quando tudo vai e tudo vem, e às vezes ate tudo vai bem, ele volta, e eu volto com ele, volto para o lugar de onde nunca deveria ter saído, mas é uma volta tão breve que quase parece um sonho, uma recordação ou um desejo. E eu tenho medo dos meus desejos, às vezes, quando me deixo levar por eles, só me trazem problemas, nem sempre maus, mas problemas, que geram outros problemas que eu não consigo resolver. E nada me deixa mais doido do que coisas sem solução. Dilemas ou coisas do género, sim isso sim, mas tudo o que não tem solução está morto, porque só existe uma coisa na vida para a qual não há solução, a morte, tão permanente e presente como a própria vida. Sempre presente e sempre à espreita, tenho-lhe ódio de morte, e medo, muito medo, porque depois da vida não há vida, há morte, e quando se esta morto, não há mais nada, eu pelo menos não conheço ninguém que de lá tenha voltado, das duas uma, ou é muito bom, ou é aquilo de que tenho medo, nada, o maior, mais absoluto, mais perfeito e permanente estado de nada, nem coisa nenhuma. O que para mim é terrível, um dia, não ser nadinha de nada, é que um dia destes, nem uma recordação, e uma recordação já não é mesmo quase nada, apesar disso, ao menos numa recordação vive-se e revive-se em nós e nos outros.

E vós, negros de noite, de coração e de mágoa, vós, e nós, e eu, que do negro fujo, mas ele não de mim.

 

By: Angel-of-Death

 

publicado por Angel-of-Death às 19:18
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