Sexta-feira, 7 de Outubro de 2005

Fragmento 8 - Tão minha...

Olho-te, deitada a meu lado, dormindo como um anjo, toco suavemente o teu rosto, sinto a tua pele macia nos meus dedos, a tua pele jovem e sem marcas do tempo, não me canso de te contemplar, nunca estive tão perto de um ser celestial, uma deusa dorme na minha cama, tão perfeita a meus olhos, tão cheia de vida, tão jovem…
Agora tento recordar-me de como tudo começou, vem-me à memória a imagem de quando te vi pela primeira vez, num bar, eu estava com uns amigos e a minha ex. namorada, tu com um grupo de amigas, todas mais ou menos da tua idade, mas algo em ti me chamou a atenção, talvez a tua pele morena, os teus olhos negros ou o teu ar de indígena, agora nem sei bem, mas parecias uma indiazinha, saída de um filme, reparei que trazias um colar igual ao meu, achei que provavelmente tivéssemos o mesmo gosto por culturas índias, porque pouco depois reparaste também no meu colar enquanto dançava.
Não queria acreditar quando te vi aproximar, sussurraste-me o teu nome ao ouvido, senti um arrepio percorrer-me o corpo todo, não acreditei que tinhas falado comigo, e muito menos quando chamas-te o meu nome, sei que não to tinha dito, aliás, nunca te tinha visto antes. Só mais tarde vim a perceber, uma das amigas, que era afinal irmã dela, era uma ex. namorada minha, com quem tinha passado bons momentos e de quem tinha boas recordações, esperava que ela também tivesse. Continuei a dançar e tu cada vez mais perto, podia sentir o calor do teu corpo, quase colado ao meu, deixei de ligar a tudo o resto, éramos só nos dois ali, naquela pista de dança, cada vez sentindo mais o teu corpo roçar o meu, olhei em volta, os meus amigos continuavam lá, e a minha namorada olhava-me, com cara de quem me queria espancar, e eu apesar de tudo não liguei.
Só parei de dançar, quando a tua irmã te veio dizer que ia embora, sem eu pronunciar qualquer palavra, disseste-lhe que só ias embora comigo, ela acenou que sim, despediu-se de mim e saiu. Atrás dela saíste tu, pedindo-me que te seguisse, como que hipnotizado acedi ao teu pedido, sei que não o devia ter feito, mas deixei os meus amigos e a minha namorada e fui até a praia, seguindo-te, como se aquele fosse o único caminho, a única verdade.
Quando paramos em frente ao mar, o transe passou, vi o luar iluminar-te o rosto, a lua cheia enchia de prata toda a praia, como num sonho das mil e uma noites, em que o nosso castelo de prata e pedras preciosas era a praia, o mar e as estrelas. Disse-te que não sabia porque estava ali, que não devia estar ali, mas a tua resposta agradou-me demais, se eu ali estava, é porque tinha de ali estar, era o nosso destino a chamar por nós, era o canto daquela sereia que me fazia perder o controlo, era o seu perfume de flores frescas de Primavera, e nem todo o frio da noite nos dissuadia, nada nem ninguém nos podia tirar aquele momento, aquele primeiro beijo, terno, quente, molhado, o brilho dos teus olhos, que pareciam duas pérolas negras, o toque suave da tua pele colada na minha, os teus braços que me envolviam o corpo, a alma, e todo o meu ser ficou nas tuas mão nesse momento.
Perguntaste-me se acreditava em amor a primeira vista, naquele momento fiquei a ser crente fiel da teoria, sorriste, voltaste a beijar-me, aproximaste-te do meu ouvido e disseste baixinho que acreditavas, sim, acreditavas que te tinhas apaixonado por mim nessa noite e pediste-me para te amar, para te fazer sentir o meu amor, nem que fosse só por uns momentos.
Como fomos loucos, fazendo amor pela praia, cobertos com nada mais que as estrelas, deitados na areia cor de prata do luar, sem nos importarmos com nada, com mais ninguém. Levei-te comigo para casa, não querias separar-te de mim, abracei-te forte enquanto tomávamos banho, era hora de nos vermos livres da areia da praia, deixei-me ficar só, só abraçado a ti, sentindo-te minha, contemplando o teu corpo, tão bonito, tão jovem, tão perfeito. Deixei a água lavar todos os pecados, todas as tristezas que nos iam na alma, que nos cresciam dentro do peito, naquele abraço que parecia não ter fim.
Quebraste, o abraço dissolveu-se, beijaste-me com muita força, choravas, dizias que não conseguias entender, que não querias entender, mas que não podias ficar sem mim, tive vontade de rir, apesar de não ser a altura própria uma gargalhada saiu, ela olhou para mim não acreditando, acalmei-a dizendo que não era possível ela ficar sem algo que lhe pertencia, logo sorriu, beijou-me e vestiu uma camisola minha que lhe ficava enorme, mas tão linda, ela deitou-se ao meu lado, sorriu para mim, beijou-me e abraçada a mim adormeceu.
Como hoje, olho-a dormindo, sonhando comigo talvez, como um anjo, uma deusa que os céus me ofereceram, que não me deixa, que não pára de me amar, que não me canso de olhar, tão jovem, tão cheia de vida, tão apaixonada que já faz meses que a vejo dormir na minha cama, não mais saiu do meu leito desde aquela primeira vez.
Amei-a, amo-a, tão jovem, tão sonho, tão minha…

By: Angel-of-Death
In: "O Espelho e eu"
publicado por Angel-of-Death às 12:54
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