Segunda-feira, 28 de Março de 2005

Fragmento 25 - Só sinto

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Não dá para mudar o não quer mudar, não há maneira de contornar a questão, simplesmente, não há vontade nem querer, enfim, só, tento perceber, tento não sentir, coisa que não é de todo possível, só me estou a tentar enganar, talvez diminuir um pouco a dor, a perda. A minha perda, só minha, como me lembro, como tento esquecer e sinto que não consigo, mas continuo a tentar, escrevendo frases sem sentido, ou com muito pouco, procurando uma saída, uma porta que me leve para outra dimensão, outro mundo, onde não seja preciso sentir, nem perder, um mundo que não existe e que seria vazio, com demasiadas certezas e riscos calculados, insipido, sem gosto. Mas que me saberia tão bem agora, que espécie de fuga, que caminho infernal, sem retorno, sem alegria, mas tambem sem dor, sem vida e sem amor, sem nada, nada que me pudesse magoar.
Mas para quê? O que que iria eu querer de um mundo desses? Os medos existem para ser enfrentados, vividos, até saboreados, por alguns, que não fogem e não se escondem atrás de palavras, mortas, por caminhos que não levam a lugar algum, só a um unico final. Eu sinto e gosto de sentir, a perda acaba por ser um mal menor, uma coisa sem sentido, que pode ou podia bem ser evitada, quem sabe. Não eu.
Tento, logo sinto. Sinto logo vivo, ou pelo menos assim o quero pensar. Mas nem sempre me sinto como tal, uns dias mais vivo do que outros, nunca sei, só sinto. Nem sei bem o quê. Amor? Sem dúvida alguma. Que mais posso querer eu? Aquilo que tenho e tive, fugiu, escapou-se por entre os meus dedos, porque não existia, logo, era impossivel de segurar, de agarrar.
Como algo só meu, parte de mim, parte de ti que ficou.

By: Angel-of-Death
In: "O espelho e eu"
publicado por Angel-of-Death às 18:05
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1 comentário:
De carina a 6 de Abril de 2005 às 23:13
tive especial atenção a este texto, talvez por sentir nele algo que me identifica e me toca profunda e frequentemente, algo que sinto quando me confronto e questiono a mim mesma nas minhas razões de existir... não sei bem como explicar, mas está muitíssimo bem transposto aqui, por isso gostei muito mesmo:)


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