Quinta-feira, 8 de Julho de 2004

Fragmento 1

Vozes do passado ecoam na minha memória, espíritos, seres que já não existem, ou pelo menos não como eu os recordo, deformados pela vida, pelos sentimentos, pela paixão, até alguns deformados por mim, pelos meus actos impensados, pela minha despreocupação, pelo meu amor pela vida, porque claro, cada um ama à sua maneira e é essa individualidade que nos faz ser tão iguais e tão diferentes, iguais nos sentimentos gerados, diferentes na maneira de os sentir.
Mas eles perseguem-me, como uma maldição que não me larga onde quer que eu vá, atormentando os meus sonhos, os meus pensamentos e os meus actos, como que lembrando-me para não voltar a errar.
São tantas as coisas que me passam pela cabeça, longos dias, quase intermináveis, sem fim, pensamentos que teimo em não ouvir, vozes que teimo em não pensar, mas tudo recomeça e acaba num ciclo vicioso, num vai e vem de sensações contraditórias, de palavras a mais.
Correntes que param à minha passagem, mares de gentes, vegetando no prado da vida, sem rumo, sem sorte, sem vontade de ser mais, de realmente ser alguém, de viver, de pensar, percorrem a vida sem destino, ou com ele já traçado, não são mais do que espectadores cegos entre jogadores surdos e mudos, que simplesmente os ignoram, porque não os podem entender, passam ao lado da vida sem nunca darem por ela, como quem passa por um incêndio, sente-lhe o calor mas não o vê, não o procura, decidem não perder tempo com a vida, decidem sobreviver a espera do derradeiro final e se um dia, numa possível vida espiritual, lhes perguntassem como tinha sido a passagem pela terra, não iriam saber responder, nem saberiam que terra era essa.
Abomino essa forma de pensar, mas compreendo porém, que é direito de cada um, tomar o seu próprio caminho, escolher a sua sorte, só não suporto quando se queixam, quando acham que a vida não lhes foi propícia e não se lembram que a escolha foi inteiramente deles. Quem podem culpar, Deus?


publicado por Angel-of-Death às 20:44
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