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thefallenangel

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21.12.04

Fragmento 10 - Quando fui o que havia de ser...


Angel-of-Death

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Os dias passavam e M. nunca mudou, não sabia mudar, ou talvez a mudança a assusta-se tanto como a permanência, ou então simplesmente não queria, o que neste caso vai dar ao mesmo.
Nem a mudança das estações, dos dias, das horas, nem o mudar do vento, da chuva e dos tempos, nem tudo isso faziam M. ter vontade de mudar, ou talvez de perder o medo.
M. não era triste nem contente, vivia feliz no seu mundo côr de rosa, ou fingia viver, quando por vezes a vida não lhe dava alegrias, se é que algum dia lhe deu.
Quando conheci M. vivia tempos dificeis, não sabia bem que rumo dar á minha vida, não sabia como anular o vazio que sentia dentro do peito, deixado por A., nem como mudar esse rumo, nem como preencher o vazio. Mas que vazio? Que rumo? Que mal tinha a minha vida e a maneira como a vivia?
Só o soube quando a conheci, há alguns anos atrás, era ela ainda muito nova, muito inocente, cheia de vida e de sofrimento, e eu não ajudei em nada. Bem pelo contrário, saí da sua vida quando era talvez mais importante que continua-se a seu lado. Ou talvez tenha sido pelo melhor, não sei.
M. cresceu, mais bonita ainda, e com aqueles olhos cor do céu, que me faziam perder-me dentro dela e de mim, aqueles olhos que ainda vejo, na partida, e que saudades me trazem, do coração que me levaram.
Um pedaço de mim que para sempre ficou com ela, que carrega como uma cruz e que já não mais me tras sofrimento, mas saudades, isso sim. Foi da segunda vez e não da primeira, que M. levou de mim, o que mais ninguém podia levar.
M. não foi, nem nunca será, M. é.
Não saberá jamais como reparar o mal que não me fez, nem repor no seu lugar, aquilo que nunca me levou, mas que com ela ficou para sempre.

Para M.

By: Angel-of-Death
In: “ O espelho e eu”

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